Romântica Anônima: Capítulo 7 – Aquela paixão

                                            Ensino médio

Todo mundo em algum momento da vida tem aquela paixão.

Aquela paixão que te tira o sono, fazendo com que você passe noites em claro pensando na pessoa.

Aquela paixão que te faz sonhar com a pessoa (dormindo ou acordado).

Aquela paixão que te motiva a levantar da cama todo dia por causa da ansiedade em ver a pessoa.

Aquela paixão que lhe arranca sorrisos e suspiros sem nem ao menos fazer esforço.

Aquela paixão que lhe da um imenso frio na barriga somente de pensar na pessoa.

Aquela paixão que lhe causa arrepios com um único sorriso.

Aquela paixão que somente a mera existência já faz uma grande diferença em seu dia.

Se você nunca teve aquela paixão, não se preocupe, sua vez ainda vai chegar.

Rebecca era aquela paixão de Karina.

A garota de 17 anos deveria ser uma das poucas pessoas que ficavam ansiosas para mais um dia de aula. Desde que conhecera Rebecca, ela dormia mais cedo do que o seu horário de costume somente para que o dia seguinte chegasse mais rápido.

Todo mundo precisa de uma motivação na vida, uma faísca para fazer a pena levantar todo dia de manhã. Para algumas pessoas essa faísca é o dinheiro no final do mês para pagar as contas. Para outras é uma viagem que foi planejada há algum tempo. Tem aquelas que sua maior motivação de se levantar é a família. Outros são os amigos. E, uma grande parcela, ainda tem um grande amor como essa faísca, motivação.

Fazia dois dias que, para Karina, essa pequena faísca estava apagada.

Não era um martírio levantar da cama todo dia pela manhã, como para muitas pessoas, Karina só não tinha aquele frio na barriga ou a sensação tranquilizante no coração sempre que passava por Rebecca nos corredores.

Ela sentia falta dessas sensações.

Ela sentia falta de Rebecca.

— Oh meu Deus! – Samantha exclamou sem paciência. Já não aguentava mais a expressão de cachorro abandonado de Karina olhando para a mesa que Rebecca e Julie costumavam sentar na hora do intervalo. – Você é uma prova na minha vida, eu tenho certeza disso. – levantou-se da mesa, ganhando olhares confusos de Karina.

A garota não entendeu o que a insinuação dela ser uma prova queria dizer, da mesma forma que não entendeu o motivo de Samantha deixar a mesa.

Samantha caminhou até a mesa que Julie almoçava com algumas amigas. Karina arregalou os olhos, um pouco incomodada com aquela aproximação. Ela sabia que a melhor amiga não diria absolutamente nada que poderia comprometê-la, entretanto era um pouco assustador vê-la fazendo aquele tipo de contato, embora fosse normal. Samantha não era amiga de todos da escola, mas conhecia boa parte dos alunos.

— Aí o que você quer Samantha? – indagou Julie, sem paciência.

— Chamar a Rebecca para ser a minha acompanhante no baile de formatura. – respondeu naturalmente, encostando-se na mesa.

— A formatura é só daqui seis meses.

— Você acha mesmo que eu vou deixar para convidá-la na última hora? – ela cruzou os braços, mostrando-se indignada. – Desculpa dizer, mas ela vai ser muito mais concorrida do que você.

Julie a encarou com uma expressão de tédio. Ainda não entendia por qual motivo perdia tempo dando ousadia para Samantha.

— A Rebecca não veio. – ela respondeu, simplesmente.

— Isso está na cara. Você é muito mais desagradável quando está longe da Rebecca. – disse Samantha sarcasticamente. Julie revirou os olhos. Será que alguém poderia tirar aquela garota de sua frente? – Aconteceu alguma coisa com ela?

— Pra que você quer saber? – indagou, ríspida.

— Porque se aconteceu, eu vou ter que começar a pensar em alternativas para levar ao baile. – uma das amigas de Julie levantou a mão. Sem olhar para ela em nenhum momento, mas sabendo o gesto que ela estava fazendo, Samantha balançou a cabeça em negativo. – Você não, Bree. Nós nunca mais vamos sair juntas depois do que você quase me fez passar.

— Você sabe que não foi por mal. – retrucou a garota, um pouco ofendida.

— Minha mãe me mandando para o quinto dos infernos caso descobrisse que eu gosto de meninas também não ia ser por mal. – respondeu com um pouco de rispidez. – Então, o que aconteceu com a Rebecca?

— Sua mãe não sabe que você é lésbica, mas mesmo assim você vai chamar uma menina para o seu baile de formatura? – indagou Julie um pouco confusa.

— A não ser que você conte para ela, Linda nunca vai ficar sabendo que eu chamei menina nenhuma para o baile. Pelo menos não até eu sair de vez de casa. – Julie semicerrou os olhos, procurando sentindo nas coisas que Samantha estava dizendo. Alguma coisa em toda aquela conversa estava errada, ela só não conseguia dizer ainda o que. – Menina quanto mais rápido você responder o que aconteceu com a Rebecca, mais rápido eu te deixo em paz.

— O pai dela teve um infarto há dois dias, por isso que ela não veio para a escola.

— Meu Deus! – exclamou Samantha realmente preocupada. – Ele está bem?

— Está sim. Acho que vai ter alta nos próximos dias.

— Viu? – deu três tapinhas no ombro de Julie. – Não doeu e sua língua nem caiu. – sorriu cinicamente. – Fala para ela que mandei melhoras para o senhor Mitchell e que espero a minha resposta.

Sem dar oportunidade de Julie responder absolutamente nada, Samantha deu de costas e voltou para a mesa, sentando-se de frente para Karina.

— O pai dela enfartou, por isso que ela não está vindo. E se você tinha planos de chama-la para o baile de formatura, sinto muito, mas passei na sua frente. Não que isso não seja negociável…

Embora Samantha não tivesse conseguido maiores detalhes sobre o que aconteceu com o pai de Rebecca, Karina não conseguiu tirar aquilo da cabeça durante o restante do dia.

Desde que mudara ficou muito mais distante do pai do que costumava ser quando morava em Los Angeles, mas ela amava Paul, e se fosse ele que tivesse enfartado, Karina estaria desesperada. Paul podia ser um pai ausente, mas ele não era um dos piores pais do mundo. Portanto, colocando-se no lugar de Rebecca, ela passou a ter uma ideia do que a garota poderia estar sentindo naquele momento.

No final do expediente escolar, Karina foi diretamente para o trabalho da mãe. Donna era dona de uma floricultura no centro da cidade. O lugar que começou sem nenhuma pretensão quando se mudaram para Nova York, agora era uma das floriculturas mais procuradas de Manhattan. Em datas comemorativas que flores e cestas de café da manhã eram o presente padrão, o estabelecimento ficava impossível de entrar. Por sorte, estavam a mais algumas semanas de mais uma data como essa, portanto Karina poderia desfrutar de toda a atenção da mãe.

— Que tipo de flores diz “Espero que seu pai melhore logo”? – indagou Karina, debruçando-se no imenso balcão e observando alguns arranjos de flores que tinha do outro lado dele.

— Com o pai de quem que aconteceu alguma coisa? – questionou Donna, preocupada. – Está tudo bem com o Grant?

— Está, está. – tratou de responder prontamente. Assim como Samantha, Grant também era família para as duas. – O pai da Rebecca que enfartou.

— Oh querida, sinto muito em saber disso. – disse Donna em um tom complacente. – Escolha um cartão que eu vou fazer um arranjo de flores perfeito para você, tudo bem?

— Já disse hoje que você é a melhor mãe do mundo? – disse Karina em um tom descontraído, mas a frase não deixava de ser menos verdadeira.

Donna sorriu e deu um beijo no rosto da filha. Ela sabia que era a melhor mãe do mundo – ou pelo menos tentava ser.


Rebecca deparou-se com um lindo arranjo de flores ao abrir a porta de casa. Ela pegou o arranjo do chão e olhou para os lados, na procura falha de tentar descobrir quem havia deixado aquelas flores ali. Ela tirou o cartão do meio das flores, com um pouco de dificuldade, tendo em vista que o arranjo de flores além de lindo era enorme, ela conseguiu abrir o cartão.

Espero que seu pai fique bem logo.

R.A

Pela primeira vez Rebecca não achou o gesto assustador ou se incomodou com a ousadia do R.A. Pelo contrário, ela achou de uma delicadeza e atenção indescritível a pessoa ter deixado as flores desejando melhoras ao seu pai.

Desde que se entendia por gente Rebecca sempre foi mais ligada a Noah. Ele sempre foi um excelente pai, desde estar presente em sua vida em momentos importantes, até para tirá-la de pequenas encrencas sem que sua mãe descobrisse. Noah também era a pessoa que sempre lhe dava uma luz quando todos os conselhos que ouviu não era o que ela procurava. Poderia dizer até que o pai era seu melhor amigo. Receber a notícia de que ele tinha sofrido um infarto foi desesperador. Rebecca começou a se perguntar o que faria de sua vida sem o seu companheiro de futebol dos domingos ou o que seria do restante de sua vida sem tê-lo como mediador da família. Ela amava a mãe, mas se vivesse somente com Mary e Davi, provavelmente acabaria enlouquecendo antes de conseguir entrar na faculdade.

Alguém lhe mandar flores desejando melhoras a pessoa mais importante de sua vida chegou ao coração de Rebecca.

Ela cheirou as flores, abrindo um sorriso. Passou a intrigar-se mais ainda com a pessoa que estava por trás daquele gesto. Ao encerrar a lista de possíveis R.A, Rebecca resolveu deixar para lá. A pessoa conseguia manter-se mais secreta do que agentes de séries da CIA, portanto não queria mais perder o seu tempo com aquilo. Mas aquele gesto fez com que ela resolvesse dar uma última chance para o seu admirador secreto.

No dia seguinte, Rebecca colocou uma pequena mensagem no quadro de avisos da escola. Esperava que dessa vez sua busca desse resultado. Queria conhecer o R.A. Alguém que se preocupava com ela, com sua família, não deveria ser uma pessoa tão horrível e estranha assim.

Ela estava certa. Horrível e estranha era totalmente o oposto do que o terapeuta de Karina usou para descrevê-la.

Atualmente

20 operários estavam parados no meio do grande terreno. Tudo que eles precisavam para dar início a construção do projeto estava espalhado por toda a extensão do lugar.

Karina já conseguia ouvir o barulho da britadeira. Conseguia ver os tratores andando de um lado para o outro. Conseguia sentir até o cheiro da massa misturado com os tijolos. Ela amava cada detalhe de todo o processo de construção e estava mais ansiosa do que nunca para iniciar de vez finalmente mais um.

O seu primeiro trabalho com aquela paixão.

— Vocês já me conhecem. – disse Rebecca animadamente. Os homens assentiram, também animados. O trabalho poderia ser puxado, mas eles gostavam de trabalhar com a loira. Ela sempre fazia com que eles se sentissem bem apreciados, como se ninguém pudesse fazer o trabalho no lugar deles. – Mas não conhecem essa moça aqui. – ela esboçou um largo sorriso, olhando para Karina. – Essa é Karina Prince, a engenheira que supervisionara o trabalho de vocês. – a morena acenou para os operários, sorrindo. – Qualquer coisa que precisarem é só falar com ela. Ela está louca para acompanhar uma obra de perto, então deem uma boa construção para ela, por favor.

— Rebecca, com o Mark tínhamos uma equilibrada. – disse um dos operários, gesticulando uma balança com a mão. – Como você quer que a gente preste atenção no trabalho agora com duas maravilhosas mulheres no nosso canteiro de obras?

— Vocês devem estar bem familiarizados com a expressão “muita areia para o seu caminhãozinho”, certo? Então continuem com isso em mente. – disse Karina em um tom descontraído, mandando uma piscadela para os homens. – Eu ouvi maravilhas dessa equipe, portanto sei que vão fazer um excelente trabalho. Só, por favor, mantenham esse prédio reto.

Todos se entreolharam, sem entender o motivo de Karina ter terminado a frase com uma risadinha e Rebecca tê-la acompanhado.

— Eles não conhecem a minha história, não é mesmo? – indagou Karina em um tom mais baixo. Rebecca balançou a cabeça em negativo, ainda rindo. – Tudo bem pessoal… – ela bateu uma mão na outra, voltando a falar com os rapazes. – Nós vamos ter muito tempo para fazer desse comentário uma piada nossa, então… Mãos a obra e bom trabalho!

Os homens trocaram alguns cumprimentos, comemorando o inicio de mais uma construção e cada um deles foi para o seu posto de trabalho, esquecendo completamente que as duas mulheres estavam ali.

— É isso! Em 14 meses estaremos entregando um prédio novinho. – disse Karina com um sorriso orgulhoso. Seria impossível esconder a felicidade que estava sentindo por causa daquele momento se quisesse. – Obrigada mesmo por ter me contratado. – continuou, sinceramente.

Por que aquelas covinhas tinham que aparecer até quando ela não estava sorrindo de forma tão aberta? Karina só estava com uma expressão meiga, com um discreto sorriso de canto de rosto e, mesmo assim, lá estavam as malditas covinhas desorientado Rebecca.

O pior de tudo não era nem as covinhas. Era o combo de Karina com roupa social, salto, os cabelos pretos dentro de um capacete de obra e as covinhas. Rebecca estava acostuma a ver Karina daquela forma, com exceção do capacete. Vê-la como uma verdadeira engenheira mexeu mais ainda com os seus sentidos. O desejo da loira era que uma coluna caísse em cima de sua cabeça, assim entraria em coma e não precisaria lidar com nada daquilo, pois ela não fazia a menor ideia do que fazer para que toda aquela atração desaparecesse.

Se fosse uma mulher solteira tudo seria tão mais fácil.

— Me agradeça quando tivermos a certeza de que o prédio não está torto. – respondeu em um tom descontraído, tentando se distrair dos seus pensamentos que não condiziam com uma mulher noiva. Uma mulher noiva. – Droga! – olhou a hora no celular. – Eu esqueci que tinha um compromisso. Você chama um táxi ou me acompanha?

— Eu não faço a mínima ideia no que estou me metendo, mas se não for te atrapalhar, posso te acompanhar sem nenhum problema.

Na verdade, muitos problemas, mas nenhum que não pudesse ser resolvido em algum momento.

O compromisso de Rebecca era em uma das mais prestigiadas lojas de vestidos de noivas de Nova York. O lugar só atendia com hora marcada, portanto ao chegarem só Elizabeth e Mary estavam no enorme salão. Liz estava sentada no confortável sofá de couro desfrutando de uma taça de champanhe, enquanto Mary passava o olho em alguns vestidos que estavam expostos ali.

Karina não entendeu o motivo de estarem ali. Ela não havia bloqueado de sua mente que Rebecca estava noiva, não se preocupem. A morena só não entendia o que estava fazendo em uma loja de vestido de noivas daquele porte. Em todas as conversas que tiveram Rebecca sempre dizia que queria um casamento simples, somente com amigos e os familiares mais próximos. Talvez algumas coisas tivessem mesmo mudado.

— Você está atrasada. – disse Elizabeth sem muito entusiasmo em seu tom de voz.

— Eu estava trabalhando. – pegou a taça de champanhe da mão da amiga. – Você deveria tentar às vezes. – mandou um sorrisinho cínico para ela e bebeu um gole do champanhe.

— Finalmente Rebecca! – exclamou Mary, andando em direção da filha com os braços abertos. Elas se abraçaram. – Você deve ser a famosa Karina. – disse a mulher sem nem ao menos esperar que Rebecca apresentasse as duas. Estava curiosa e intrigada com a presença da morena ali. – Ela não disse que você era tão bonita.

— Deve ser porque eu não sou. – soltou um riso sem graça, completamente desconfortável com os olhares e o sorriso da mãe de Rebecca.

— Ela também e modesta. – Mary sorriu, causando mais incomodo ainda em Karina. – Espero que você seja melhor que o Mark.

— Qualquer pessoa é melhor que o Mark. – Rebecca e Elizabeth falaram juntas. Elas deram um high-five logo em seguida por causa da sintonia. Amavam quando isso acontecia.

— Oh você chegou. – disse a vendedora simpaticamente. – Podemos? – apontou para uma entrada que dava no provador.

— Claro. – Rebecca andou dois passos, parando no meio do caminho. – Meu Deus, mãe. Faz a chamada de vídeo com a Julie. – entregou o celular desbloqueado para a Mary.

— Não sei pra que. – resmungou Elizabeth, aborrecida. Rebecca já havia entrado no provador, então seu comentário não ganhou nenhuma atenção. – Se ela quisesse ser presente nesse casamento estaria aqui. – continuou resmungando mais para si mesmo. Precisava tirar aquilo do seu peito.

— Oi senhora Mitchell! – disse Julie animadamente assim que atendeu a chamada de vídeo. – Cadê? Ela já colocou o vestido?

— Ainda não. Estamos esperando. – Mary trocou o lado da câmera do celular, mostrando Elizabeth sentada no sofá.

— Elizabeth. – cumprimentou-a de um jeito formal, sem demonstrar nenhum sentimento em ver a ruiva.

— Julie. – Elizabeth cumprimentou-a da mesma forma, a única diferença é que teve que se controlar muito mais do que da ultima vez para não revirar os olhos.

— Oh meu Deus! – exclamou Julie assim que a câmera focou em Karina, bastante surpresa. – Você ainda consegue ser mais bonita do que nas fotos que eu vi. – Karina sorriu de forma tímida. Isso significava que Rebecca ainda falava dela para a melhor amiga? – É… Não lembro mesmo de você na época da escola.

— Vocês estudaram juntas? – indagou Mary. – Becca não me falou nada sobre isso.

— Nós estudamos na mesma escola, mas não éramos amigas. – respondeu Karina do jeito mais formal que conseguiu. Mary Mitchell estava a fazendo suar de uma forma que fazia muito tempo que ela não suava. – Eu não era muito popular na escola.

— Eu não vejo a hora de ir para Nova York. Rebecca fala tanto de você que fiquei com vontade de conhece-la.

— Ela fala? – questionou Mary, desconfiada.

— Ela fala muito da Karina para mim também. – Elizabeth resolveu entrar na conversar. – Não somente sobre a Karina, ela fala sobre diversas outras coisas também. Outro dia ela me pediu até conselhos.

— Nossa, conselhos! – ironizou Julie. – Você deu algum conselho certo dessa vez? Ou eu tive que dar outro depois?

— Escuta aqui… – Elizabeth tirou o celular da mão da Mary. A mulher deu dois passos para trás murmurando um “e lá vamos nós de novo”. – Só porque você chegou primeiro…

— Meu anjo, não tem o que discutir. – Julie não deixou com que Elizabeth concluísse. — Eu realmente cheguei primeiro.

As duas começaram a falar ao mesmo tempo, tornando-se impossível de entender o que elas estavam dizendo.

Acostumada com aquele tipo de comportamento sempre que Julie e Elizabeth se “encontravam” em algum assunto relacionado ao casamento, Mary serviu-se de mais um pouco de champanhe e entregou uma taça para Karina. A engenheira pegou a taça da mão de Mary, encarando-a com um pouco de confusão. Elas não iriam tentar acabar com aquela discussão? Mary ergueu os ombros simplesmente, não dando muita importância para a expressão perplexa de Karina por causa de toda aquela troca de ofensas e tomou um gole de seu champanhe. Fazia muito tempo que havia parado de se meter nas discussões das duas.

Rebecca apareceu no salão e, como em um passe de mágica, todo mundo ficou em silêncio, somente observando a loira fazer todo o percurso até o espelho.

Rebecca soltou um longo suspiro e passou a mão pela saia do vestido antes de começar a caminhar. Sendo sincera consigo mesma, embora não tivesse se visto no espelho ainda, não havia gostado do vestido.

Ultimamente estava desanimada com tudo que envolvia o casamento. Aceitara fazer uma grande festa por causa do choramingo de sua mãe sobre a poupança que abrira no mesmo mês em que ela nasceu. Alguns pais abriam poupança para a faculdade, mas claro que sua mãe havia aberto para o seu casamento.  Seus planos, desde que se entendia por gente, não estava incluso um grande casamento. Estava sim incluso casar, mas algo simples, somente com os familiares e amigos mais próximos. Como a família de Jonathan era muito maior do que a sua, no final acabou cedendo sobre um grande casamento.

Rebecca ainda queria se casar com Jonathan. Ela repetia isso para si mesma mais do que o necessário desde o momento que percebeu que o casamento não lhe trazia mais tanta animação como antes. Às vezes Rebecca passava longos minutos olhando para sua aliança de noivado, pensando se não estava indo longe demais. Mas como poderia? Namorou Jonathan por dois anos antes de ficarem noivos, então era um tempo considerável para dar o próximo passo. Os dois tinham estabilidade financeira, uma casa pedindo para ser construída, portanto nada os impedia de casar.

Ela subiu no pequeno banco de frente para o espelho e, assim que sentiu-se segura o suficiente, acabou com o mistério e olhou para sua aparência. Olhou-se de cima para baixo, procurando nem que fosse um mínimo motivo para criticar o vestido, mas não encontrou. A busca nem chegou a ser concluída, pois no meio dela, Rebecca viu através do espelho a forma que Karina a olhava. A morena trazia no olhar um encantamento que ela jamais vira na vida. Os olhos cor de mel de Karina brilhavam apaixonados. Era como se a morena estivesse vendo a coisa mais bela do mundo em sua frente. Rebecca sentiu seu peito se encher com uma sensação boa, ela sentiu todos os seus pelos se arrepiarem e um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto. Novamente, como em um passe de mágica, sua animação para o casamento havia retornado.

— Como eu estou? – perguntou, ainda olhando para todas (Karina) através do espelho.

— Perfeita. – Karina respondeu sem pensar, ainda olhando para Rebecca de forma encantada. Estava hipnotizada com a beleza da arquiteta dentro daquele vestido. Para ela, Rebecca era o ser mais belo que existia, entretanto, dentro daquele vestido, a loira conseguiu extrapolar o limite da beleza. – Ficou perfeito! – retificou, dando-se conta do que havia dito antes. – O vestido. – limpou a garganta, estava um pouco desconsertada. – O vestido ficou perfeito.

Rebecca sorriu com o elogio.

Mary intercalou o olhar entre Karina e Rebecca, mais desconfiada do que no instante que Karina colocou os pés dentro daquela loja. Alguma coisa não estava certa ali.

— Está linda, meu amor! – Mary abriu um sorriso, tentando guardar toda sua desconfiança para si mesma. Ainda iria entender o que estava acontecendo ali e torcia para que não fosse nada demais.

— Você está ótima! O vestido ficou ótimo! – respondeu Julie com um largo sorriso. Sua melhor amiga estava mesmo absolutamente linda naquele vestido.

— Eu não gostei. – disse Elizabeth com desdém. – Acho que poderia ser melhor.

— Ah eu não tenho tempo para isso! – exclamou Julie, irritada. – Você só não gostou porque eu gostei. Por que você tem que fazer showzinho sobre tudo?

— Fazer showzinho sobre tudo? – Elizabeth tomou mais uma vez o celular da mão de Mary. Ela estava possessa. Rebecca revirou os olhos, sem um pingo de paciência. Toda vez era a mesma coisa. — Eu só estou dando a minha opinião como madrinha. Porque eu também sou a madrinha desse casamento.

— Só porque a Rebecca tem um coração muito bom e não quis te chatear. – provocou Julie, esboçando um sorriso cínico de canto de rosto. – Se ela tivesse que escolher somente uma madrinha, você nunca seria a primeira escolha.

— Já chega! – Rebecca tirou o celular da mão de Elizabeth. – Será que vocês não conseguem ficar uma única vez sem brigar? Isso aqui é o meu casamento, não o Casos de Família!

— Não, agora eu quero saber… – Elizabeth cruzou os braços, carregando consigo sua maior expressão de menina mimada. — Se você só pudesse escolher uma madrinha, quem você escolheria?

— Liz, você não quer mesmo saber a resposta. – respondeu Rebecca em um tom calmo. A última coisa que queria era começar uma discussão com Elizabeth, embora soubesse que era praticamente impossível com qualquer resposta que não fosse a favor da ruiva.

— Eu não preciso da sua piedade! – Elizabeth pegou a bolsa em cima do sofá. – Ela pode ser sua única madrinha. Não quero ser a madrinha de pena de ninguém.

— Liz… – soltou um suspiro chateado enquanto assistia Elizabeth deixar a loja. – Por que você tem sempre que responder as provocações dela? – indagou vendo Julie pela chamada de vídeo.

— Agora a culpa é minha? – questionou, ofendida. – Ela é doida. Você sabe disso.

— Eu sei que vocês duas são minhas madrinhas e que precisam resolver isso. – disse em um tom autoritário. Julie murmurou um pedido de desculpas, envergonhada com sua atitude. Já era grande o suficiente para não se deixar levar por provocações bestas. O único problema era que esqueceram de avisar Elizabeth que ela também já não tinha mais idade para fazer esse tipo de provocações. – Eu fiquei mesmo maravilhosa nesse vestido, não fiquei? – Rebecca foi para frente do espelho novamente, sorrindo com o que via, e isso não tinha nada a ver com o vestido e sim ainda com Karina a olhando naquele vestido. – Acho que vou ficar com ele mesmo.

O celular de Karina tocou, notificando a chegada de uma nova mensagem. Ela leu com atenção o conteúdo da mensagem, embora atenção fosse algo que ela não estivesse tendo muito nos últimos minutos, a não ser que essa atenção fosse toda para Rebecca.

— Precisam da gente no escritório. – ela avisou.

— Oh meu Deus! Esqueci que marquei um cliente… – Rebecca mandou um beijo para Julie. – Conversamos mais tarde. – Julie somente assentiu e a chamada de vídeo foi encerrada. – Mãe, você vai querer uma carona…?

— Não se preocupe, eu vou almoçar com o seu pai aqui perto. Ia falar para você se juntar a gente, mas… – deu um beijo na bochecha da filha. – Vá se trocar. Almoçamos outro dia. – Rebecca retribuiu o beijo ma bochecha da mãe e correu, na medida em que o vestido permitia, até o provador. – Ela pode falar muito de você agora – disse direcionando-se a Karina —, mas ela ama o Jonathan, o noivo.

— Desculpa, mas eu não faço a menor ideia do que a senhora está dizendo. – Karina limitou-se a dizer.

— Tudo bem. – Mary esboçou um sorriso forçado. – Ela é toda confusa, não alimente mais essa confusão, por favor. – deu três tapinhas no braço de Karina e deixou a loja.

Karina acompanhou a mulher deixar a loja com uma expressão de espanto estampada em seu rosto. Não fazia nem uma hora que Mary a conhecia e já estava supondo coisas. Será que era somente Rebecca que não percebia o que estava escrito em letras que piscavam em sua testa?

Após Rebecca se trocar, as duas foram diretamente para o carro. A loira deu a orientação para o motorista leva-las diretamente ao escritório, então um silêncio um pouco incomodo tomou conta do lugar.

Karina olhava pela janela do carro, um pouco aérea. Ela mordia o canto das bochechas, pensando nas palavras de Mary. O que ela quis dizer com Rebecca ser confusa? Seria essa a forma que Mary encontrou para invalidar a orientação sexual de Rebecca? Ela queria perguntar, mas possuía a sensação que isso criaria um clima ruim entre as duas, portanto resolveu guardar todos os questionamentos para si.

— Qual o problema daquelas duas? – resolveu quebrar o silêncio, antes que Rebecca resolvesse perguntar no que ela estava pensando.

— Eu não faço a menor ideia. – ela respondeu sinceramente. – É assim desde a primeira vez. – encostou a cabeça no encosto do carro e fechou os olhos. – Eu ainda tenho um longo caminho de brigas pela frente até o dia do casamento. – disse em um tom descontraído, mas no fundo só de pensar em uma nova discussão entre suas duas amigas o desanimo voltava.

Karina soltou um breve riso e, quando menos se deu conta, estava em silêncio novamente observando a feição de Rebecca enquanto ela permanecia de olhos fechados. A vontade que tinha era de tocar naquele rosto que parecia ter sido esculpido especialmente por Deus. Ela queria sentir a maciez da pele de Rebecca, mas sabia que isso continuava sendo somente um sonho que, provavelmente, nunca seria realizado. Rebecca era aquela paixão e, embora não tivesse mais aquela cara entre as duas, mais o problema que ela possuía, ainda existia um cara e Rebecca iria casar com ele.

Rebecca conseguia sentir o olhar de Karina em cima de si. Com os olhos fechados, podia ver aqueles olhos cor de mel brilhando, olhando-a de uma forma intensa, encantada. Seu estomago revirava em emoção somente de lembrar como Karina a olhou na loja de vestidos de noivas. Ainda conseguia sentir pequenos arrepios por causa disso. Ela queria que Karina parasse com isso. De olhá-la como se ela fosse um ser precioso ou muito importante em sua vida. Isso estava mexendo cada vez mais com ela e muito do que ela estava sentindo, ela não podia sentir. Ela não podia ter vontade de abrir os olhos e avançar nos lábios de Karina. Estaria errando com Jonathan da maneira que jurou para si mesma que jamais faria. Amava muito o noivo para enganá-lo e traí-lo daquela forma. Mas, esconder tudo que passava por sua cabeça quando estava com Karina era o que? Ela entendia que tudo não passava de uma mera atração e que, a não ser que parasse de ver a morena, a atração não passaria tão cedo.

Ela estava perdida.

A vontade que tinha era de gritar para Karina parar de olhá-la daquela forma, mas soaria como louca. Às vezes era a forma que Karina olhava para todos. Nunca havia parado para reparar porque sempre que estava com a engenheira não conseguia prestar atenção muita coisa ao seu redor. Teria que continuar lidando com aquilo da melhor forma que podia.

— Chegamos. – sem se dar conta, Karina colocou a mão na perna de Rebecca. Só queria despertá-la dos devaneios que ela estava tendo. Rebecca abriu os olhos rapidamente, olhando diretamente para a mão da morena em sua perna. Pensou em colocar sua mão ali em cima também, mas antes que pudesse tomar uma decisão do que faria, calmamente Karina tirou a mão de sua perna. – Desculpa. – pediu por acreditar que a loira não havia gostado do seu toque involuntário.

— Está tudo bem. – sorriu de forma doce. Ela abriu a porta do carro. – Estamos atrasadas.

— Estamos atrasadas. – Karina repetiu, tentando não tornar o clima mais estranho do que já estava, descendo do carro.

***

Samantha fazia todo o caminho das costas de Elizabeth com seu dedo indicador. Ela gostava de sentir a pele macia da namorada, de descobrir e redescobrir todas as pintas que aquela pele clara possuía, entretanto naquela noite, todo o caminho que fazia era uma forma de se distrair de todo aquele silêncio. Elizabeth costumava não calar a boca depois que elas transavam. Na verdade, a ruiva não calava a boca em momento algum quando elas estavam juntas, mas naquela noite, durante todo o tempo que passaram juntas, Elizabeth quase não quis conversar.

— O que aconteceu? – ela teve que perguntar, caso contrário todo aquele silêncio acabaria a enlouquecendo.

— É possível uma pessoa ter problema de abandono sem nunca ter sido abandonada? – indagou Elizabeth com seriedade. – Ah… – soltou um longo suspiro, virando-se na cama para poder olhar para Samantha. – Eu não sei. Só acho que no final todo mundo vai me trocar.

— Amor, do que você está falando?

— Hoje a Rebecca foi provar o vestido e você sabe…

— Você e a Julie discutiram de novo? – Elizabeth fez um positivo com a cabeça, envergonhada. – Ela é sua amiga também, sabia disso?

— Eu sei! – sentou-se na cama, agitada. – O problema é que eu nunca tive uma amiga de verdade. Então eu acho que se a Julie não morasse em uma ilha talvez Rebecca nunca seria a minha amiga… – encolheu os ombros, não concluindo o que ia dizer por achar que já estava soando confusa e idiota.

— Se a Rebecca ainda for 1% da pessoa com quem eu estudei… – Samantha balançou a cabeça, sorrindo. – Ela vai ser sua amiga pelo resto da vida. Rebecca não é sua amiga por obrigação, mas sim porque ela gosta de você. Ela não vai te trocar, você só precisa aceitar que chegou depois da Julie.

— Você gostava da Julie?

— Da Julie? – fez um barulho de desdém com a boca. – Ela me tirava do sério, acho que ela tinha medo de eu roubar a amizade da Rebecca.

— Você não está falando sério. – Elizabeth afirmou, descrente.

— Pergunte sobre o baile de formatura para a Rebecca. – esboçou um sorrisinho de canto de rosto. Elizabeth a encarou com os olhos semicerrados, tentando separar o que era provocação e o que era verdade, chegando a conclusão que precisaria mesmo perguntar para a amiga sobre aquilo. – O que eu faria sem você, hein? – deu um beijo em Samantha.

— Eu também não faço a menor ideia. – retrucou Samantha em tom convencido, devolvendo o beijo de Liz.

***

Rebecca passou o dia repetindo para si mesma que amava o Jonathan e que queria casar com ele. Sentia-se mal por sempre ter que reafirmar isso, sendo que antes possuía certeza absoluta de que era aquilo que queria para a sua vida. Antes de Karina ela sabia exatamente o passo que daria e estava satisfeita com a sua decisão. Todo mundo sonha em casar com a pessoa amada, ela estava realizando aquele sonho e estava feliz com aquilo. Isso era algo que ela também precisava reafirmar sempre, caso contrário não tinha tanta certeza se passaria mais uma semana noiva.

Para provar a si mesma que estava certa, resolveu ir até a casa que iria morar com Jonathan quando casasse. Ela gostava do bairro, da localidade do terreno que compraram para construir a casa que ela desenhou, mas até mesmo aquilo não lhe trazia a mesma animação de antes. Por um tempo acreditou que construiria outra casa, com outra pessoa. Já havia superado aquilo fazia um bom tempo – ou procurava acreditar que sim —, mas fazia alguns dias que esses pensamentos também voltaram a tomar conta de sua cabeça. Ela só queria que as coisas voltassem a ser como antes, somente isso.

— Vocês empreiteiros não param de trabalhar nunca? – perguntou Rebecca em tom descontraído, parando ao lado do noivo que terminava de cortar uma madeira.

— Quando o empreiteiro quer que a casa fique pronta antes do seu próprio casamento, a resposta é não. – deu um rápido beijo em Rebecca. – Tínhamos marcado algo? Eu não lembro…

— Não, não tínhamos marcado nada, mas… – ergueu algumas sacolas com comida. – Eu estava com saudades, então…

— Eu amo quando você sente saudades. – disse Jonathan tirando algumas sacolas das mãos de Rebecca e andando em direção a cozinha. O único cômodo que estava realmente pronto até o momento. – Sempre trás as melhores comidas. – esboçou um sorriso de canto de rosto, sugestivo.

— Você é muito idiota. – disse Rebecca entre risos, colocando o restante das sacolas em cima do balcão. – Eu escolhi meu vestido de casamento hoje.

— Sério? – questionou Jonathan realmente interessado, enquanto tirava as embalagens de comida de dentro das sacolas. – Foi unânime ou Julie e Liz deram um show?

— Você sabe… – sentou-se no balcão. – O que é os preparativos desse casamento sem Julie e Liz dando show? – Jonathan riu da forma natural que a noiva disse aquilo. – O vestido é perfeito, você vai amar.

— Eu sei que vou. – respondeu, terminando de tirar as embalagens das escolas. — É você quem vai usar o vestido.

Assim que Jonathan levantou o rosto, terminando de colocar as embalagens em cima do balcão, Rebecca o puxou para um beijo. De primeiro momento o moreno ficou um pouco confuso com o gesto. Fazia algum tempo que Rebecca não fazia aquele tipo de surpresa que, embora pudesse parecer algo mínimo, essas espontaneidades faziam parte do dia a dia dos dois e ele estava sentindo falta.

Jonathan levou uma mão até a nuca de Rebecca e a outra até as costas dela, aprofundando o beijo. A loira o beijava de uma forma tão urgente que beirava ao selvagem, coisa que ela nunca havia feito antes. Pelo menos não naquela intensidade.

— Está querendo perder sua aliança novamente? – ele perguntou em um tom descontraído, um pouco ofegante.

— Alguma objeção contra isso? – questionou Rebecca em seu pé do ouvido, quase em um sussurro.

— De jeito nenhum. – ele respondeu, voltando a beijá-la.

Sabe qual é o problema de aquela paixão? É que, às vezes, embora existam todos os sinais, algumas pessoas recusam a aceita-la. Isso ao invés de trazer aquela faísca, aquela motivação que muitos dos apaixonados conscientes têm, acaba se tornando um martírio.

Como fazer com que isso pare? Muito simples. Só é parar com a negação. Aquela paixão muitas vezes não é algo tão ruim assim.

Bruna Cezario

Aquela que dorme demais, come demais, fala demais, é fangirl demais, assiste séries demais, shippa demais, faz as pessoas sofrerem com suas histórias demais, farofa demais e tem dinheiro de menos. Prazer!

5 comentários em “Romântica Anônima: Capítulo 7 – Aquela paixão

  • Fevereiro 22, 2018 em 4:08 am
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    Aaaaa voltou!! 👏🏻👏🏻 Anciosa estava ❤
    Quero essas duas juntas logo

    Resposta
    • Fevereiro 24, 2018 em 7:51 pm
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      Voltei! E to com planos de voltar de novo esse fim de semana. Vamos ver. Essas duas juntas? Tudo vai depender da senhorita Rebecca Mitchell.

      Resposta
  • Fevereiro 22, 2018 em 4:25 am
    Permalink

    Aaaaaaaaa ela voltoouu 👏🏻👏🏻 anciosa estava
    Quero essas duas juntas hein?!!

    Resposta
  • Fevereiro 25, 2018 em 10:11 am
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    Opa!!
    Eu ouvi/li planos de voltar este final de semana? 👀
    Sigo de tocaia…

    Resposta
    • Fevereiro 26, 2018 em 9:58 pm
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      Fim de semana não rolou, mas segue começo? Hoje mesmo vai ter daqui a pouquinho.

      Resposta

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