Romântica Anônima: Capítulo 9 – Eu não sou como as pessoas normais

Ensino médio 

Isso é loucura, mas tudo bem 

R.M 

Rebecca riu, balançando a cabeça em negativo quando viu que o livro da sessão endereçada para trocarem cartas era um livro de arquitetura. Incrivelmente isso não a assustou. Queria saber mais sobre seu admirador secreto, então aquele era um passo importante para, quem sabe, pudessem se conhecer pessoalmente. 

Por que isso é loucura? 

R.A 

Karina achou que estivesse sonhando quando Samantha apareceu com a primeira carta. Quando descobriu o plano da melhor amiga para que pudesse continuar se comunicando com Rebecca sem perder o seu anonimato achou que nunca daria certo, mas lá estavam elas trocando cartas como se não vivessem em um mundo que aos poucos estava sendo dominado pela tecnologia. 

Eu não sei absolutamente nada sobre você. Ainda não sei nem o motivo de você ter me escolhido. 

R.M 

Ter te escolhido para o que? Eu não escolhi nada disso, só aconteceu. 

R.A 

Aconteceu de você ficar me perseguindo? 

R.M 

Karina riu de nervosismo. Muito bom saber que tudo que estava fazendo nos últimos meses era considerado perseguição. Claro que ela não tirava a razão de Rebecca em dizer aquilo. Para quem não estava dentro do seu coração, provavelmente pensaria a mesma coisa. 

Aconteceu de eu me apaixonar por você. 

R.A 

Rebecca arregalou os olhos, um pouco assustada com a declaração. Ela era uma das maiores defensoras do amor que existia, mas algumas situações passavam dos limites. 

Como você pode ter se apaixonado por mim sendo que nem me conhece? Nós nunca trocamos uma única palavra. 

R.M 

Você nunca ouviu falar em paixão a primeira vista? Ela existe. 

R.A 

Em filmes, claro que existe. Na vida real… Como você pode ter se apaixonado por mim sendo que não nos conhecemos? 

R.M 

Paixão é diferente de amor. Paixão é tudo que os olhos e ouvidos deixam de lado. Às vezes é a forma que idealizamos a pessoa, então não é preciso conhecela necessariamente. Quando conhecemos, quando os olhos e ouvidos começam a perceber todos os defeitos e mesmo assim você ainda quer ficar com a pessoa… Isso é amor. 

R.A 

Rebecca sorriu, encantada com a resposta. A pessoa era boa, muito boa. Pensar daquela maneira a assustou um pouco. Ainda não sabia absolutamente nada sobre a pessoa por trás daquelas palavras e mesmo assim estava deixando levar-se. 

Você gosta de poesia? Porque isso está parecendo coisa que saiu de algum livro. 

R.M 

Karina riu. Rebecca era impossível. 

Não. Eu só tenho muito tempo livre para pensar sobre as coisas.  

Se isso for muito estranho para você pode me dizer. Em nenhum momento eu quis te causar desconforto, eu só não sabia mesmo como começar a falar com você. 

R.A 

Por que não tentou como as pessoas normais? Puxando um assunto pessoalmente? 

R.M 

Eu não sou como as pessoas normais. 

R.A 

O que isso quer dizer? 

R.M 

Que eu não sou como as pessoas normais. 

R.A 

Rebecca ficou lendo aquela frase por um bom tempo tentando entender o que significava. Por que a pessoa precisava ser tão misteriosa? Será que estava lidando com aqueles terroristas escolares que se ela não desse bola para ele a escola ia abaixo? Ou estava sendo paranoica e só estava lidando com alguém tão tímido que não conseguia puxar uma conversa como uma pessoa normal? Dava aulas para Ricardo. Somente depois de semanas o menino começou a ficar confortável em sua presença, portanto esse podia ser mais um caso de timidez. 

Pelo visto, eu também devo não ser por resolver seguir com isso, mas tudo bem, vamos ver até onde isso vai. 

R.M 

Nós sabemos até onde isso vai. Bom, pelo menos eu sei. 

Atualmente 

Se juntasse todos os projetos que a View tinha em andamento, o barulho das obras ainda não causaria o estrago que somente a pequena luz do sol passando pela fresta da cortina do quarto estava causando na cabeça de Rebecca. Um ato terrorista estava acontecendo lá dentro. Era como se dezenas de bombas nucleares estivessem explodindo de sua cabeça. 

Com muita dificuldade Rebecca abriu os olhos. Amaldiçoou-se por aquilo. O dia estava tão ensolarado que o sol passando pela fresta da cortina deixou o cômodo mais iluminado do que o de costume. Ela esfregou os olhos com força na tentativa de conseguir despertar de vez. Péssima ideia. A pequena chacoalhada que aquele gesto causou deu a sensação de uma batalha naval estar acontecendo dentro de sua cabeça. Por que ela bebia mesmo? Sentou-se na cama, sentindo imediatamente enjoo e o seu mundo dar uma leve girada. Abaixou a cabeça, levando a mão até a testa, foi quando se deu conta que estava nua. Com um roupão, mas nua. Levando em consideração que não fazia a menor ideia de como chegou em casa, poderia concluir que, se tomou banho quando chegou, não foi sozinha. Rebecca olhou para o seu lado esquerdo da cama, desesperada com a ideia de ter ido para a cama com alguém. Sentiu um pouco de alívio ao encontrar o lugar vazio, mas isso nem de longe era as respostas que procurava. 

Buscando forças de algum lugar desconhecido, Rebecca conseguiu levantar da cama. Seu mundo girou mais depressa, quase fazendo com que ela caísse de volta na cama, mas na medida do possível, permaneceu em pé e caminhou até o andar debaixo. 

— Oh meu Deus! – murmurou para si mesma assim que encontrou Karina dormindo no sofá de sua sala acompanhada de Pen. – O que você fez? 

Com o intuito de adiar a resposta para aquela pergunta, Rebecca foi até a cozinha preparar um café. Se tinha planos de seguir com aquele dia, precisava de, no mínimo, duas xícaras de café bem forte. Enquanto o café preparava, resolveu tomar uma aspirina. Precisava do milagre que aquele pequeno comprimido causava. Sentou no banco da bancada e levou a mão até a cabeça. Achava que a qualquer momento iria morrer de hemorragia cerebral. Aquela dor de cabeça que estava sentindo não era normal. 

Bom, após alguns segundos, Rebecca chegou a conclusão que era sim. Não conseguiu lembrar perfeitamente da noite anterior, mas começou a ter flashs. Com o tanto de bebida que misturou, tinha sorte de não ter dado entrada em algum hospital em coma alcoólico. Quis bater com o cabeça no balcão quando recordou-se de todas as vezes que disse que Karina era linda e que queria beijá-la. Ainda não se recordava como foi parar em sua cama somente de roupão, mas era bom que ela não tivesse beijado Karina, caso contrário, seria obrigada a processar a si mesma por ter esquecido daquele acontecimento. 

No que ela estava pensando? Parte de sua noite havia desaparecido de sua mente, Karina estava dormindo no sofá com sua cachorra e ela estava preocupada com o beijo que podia ou não podia ter dado em Karina? 

E que show todo foi aquele na festa? Porque ela estava enciumada sendo que era noiva e não possuía nenhum tipo de relacionamento com Karina a não ser amizade? Nunca durante todo o tempo que estava com Jonathan sentiu ciúmes dele, então por que com Karina era diferente? Por que ela não estava nem preocupada se traiu ou não o seu noivo com a mulher deitada em seu sofá? Por que ela não conseguia parar de pensar no beijo que poderia ou não poderia ter dado em Karina? Por que sua cabeça doía tanto? 

Chegou a criança de 4 anos e todos os seus porquês. 

— Merda! – Karina quase caiu do sofá levando Pen junto ao achar que havia dormido demais. Pegou seu celular em cima da mesa de centro, olhando as horas e se deu conta que havia dormido somente o suficiente. 

— Você realmente gosta dessa palavra, não gosta? – disse Rebecca em tom descontraído. Se fosse ter as respostas que queria – e as que não queria também – pelo menos que começasse com um pouco de humor toda a conversa estranha que teriam. 

— Foi uma das primeiras que aprendi quando aprendi a me expressar. – respondeu no mesmo tom, caminhando até a cozinha. – Como você está? 

— Nós duas não…? – Rebecca resolveu ser direta ou o mais próxima do significado da palavra. Era melhor acabar com aquelas dúvidas logo. 

— Nós… – Karina franziu o cenho, tentando entender o que Rebecca estava insinuando. Rebecca semicerrou os olhos, recusando-se a usar o restante das palavras para Karina entender ao que ela estava se referindo. – Não, não! Claro que não! – respondeu em um tom que dizia o quanto aquilo era absurdo, causando um pouco de incômodo em Rebecca. – Eu jamais dormiria com você. Bêbada ou sóbria. 

— Jamais?  

— Bom… – Karina limpou a garganta. – Você é noiva, então eu não… – limpou a garganta novamente. Por que Rebecca tinha que fazer aquilo com ela, mesmo sem querer? – Por mais que você quisesse me beijar. 

— Eu queria te beijar? – riu de nervoso. Achou que aquele assunto era a última coisa que Karina abordaria. – Eu… – Rebecca limpou a garganta, desconsertada. – Eu… Eu quero beijar muitas pessoas, mas isso não significa que eu vou. 

— Por que é uma merda ser noiva? 

Rebecca entreabriu a boca, pensando em retrucar aquilo, mas chegou a conclusão com a resposta anterior que só estava piorando a sua situação. 

— Será que podemos esquecer que a noite anterior existiu? Eu não sei o que deu em mim… 

— Está tudo bem. – Karina esboçou um sorriso complacente, exibindo suas covinhas. Rebecca não conseguiu disfarçar o olhar para cima delas. – Desculpa. – levou as mãos até o rosto, uma de cada lado de suas  bochechas. – Malditas covinhas! 

O que restou para Rebecca foi rir. Somente Karina tinha o dom de transformar uma situação que era no mínimo constrangedora em um momento mais leve. A engenheira acompanhou a risada de Rebecca. Não queria deixar o clima estranho somente por causa de uma noite de bebedeira. Presava demais o que possuía com Rebecca para deixar que fosse destruído por causa de uma bobeira. 

— Obrigada por ter cuidado de mim. – agradeceu Rebecca em um tom doce. – E da Pen. 

— Pen deu mais trabalho do que você. Você dormiu o banho inteiro. 

Rebecca cobriu o rosto com as mãos, rindo de vergonha. Quando achava que não havia passado vergonha o suficiente na noite anterior… Mas, olhando pelo lado positivo, era melhor dormir enquanto tomava banho do que sair por aí beijando pessoas – ou dizer que queria beijá-las. 

— Me desculpe, eu não… 

— Eu já disse que está tudo bem. – Karina esboçou um sorriso de canto de rosto, terna. – Sério. 

Rebecca agradeceu novamente, mas dessa vez com o olhar. No final das contas não teria absolutamente nada que pudesse dizer ou fazer que a redimiria da noite anterior. O que lhe restava era agradecer por ter alguém como Karina em sua vida. 

— Eu estraguei o seu “encontro”, não estraguei? – o tom trazia um pouco de culpa, mas no fundo ela queria mais que a resposta fosse positiva. Por ter se prestado ao papel de fazer aquela pergunta, o mínimo que merecia era uma respostava que lhe agradasse. 

— Meu encontro? – Karina franziu o cenho, confusa ao que Rebecca estava se referindo. 

— Lorena? – Rebecca quis revirar os olhos ao dizer o nome da amiga de Camille, mas se conteve. 

— Ah… – riu, envergonhada. – Ela é legal, mas… – balançou a cabeça em negativo. – Acho até que esqueci de pegar o número dela. 

— Me desculpa. – disse Rebecca, embora estivesse sentido o oposto do pedidos de desculpas. Finalmente achou uma serventia para toda sua bebedeira. 

— Já disse que está tudo bem. – Karina esboçou um sorriso, novamente exibindo as covinhas. Rebecca tentou desviar o olhar para não ser pega novamente as encarando, mas elas eram mesmo umas malditas. Uma pena que sem álcool no sangue ela não tinha coragem de admitir aquilo, portanto o que lhe restava era retribuir o sorriso. — Eu gostei da casa. – disse Karina apontando para a maquete. Também tinha as suas dúvidas para aquela amanhã e o breve silêncio que se instalou era tudo que estava esperando para entrar naquele assunto. – É a casa que você vai morar quando casar? 

— Não. – Rebecca balançou a cabeça em negativo, reforçando a resposta. – Essa casa eu desenhei com uma pessoa que… – ela fez uma breve pausa, olhando para a maquete que estava metros de distância dela. Karina a encarou atentamente, esperando que ela prosseguisse. – Eu não sei porque tenho essa maquete. – limitou-se a dizer. Não queria mesmo reviver o passado naquela manhã. 

— Péssimo término? 

— Eu só fui uma idiota. – disse servindo duas xícaras de café. – Eu pensei que… – soltou um longo suspiro, sentindo todos os sentimentos do passado voltando como se aqueles dias estivessem acontecendo tudo de novo. – É bobeira do passado, então fora a casa, o resto é melhor ficar por lá mesmo. 

Karina assentiu, sentindo uma pontada de tristeza. Seja quais fossem as lembranças que Rebecca tinha daquela época, de  alguma forma lhe traziam dor. Embora a forma que tudo terminou fugisse do controle de Karina para resolver ou terminar de uma forma melhor, Rebecca também ficou sem um fechamento. E, se nunca chegasse o dia que Karina seria sincera com Rebecca sobre quem ela era, e o que aconteceu exatamente, para sempre ela lembraria daquela época com magoa. Mas, um passo de cada vez. 

— Ah não! – Rebecca bateu com o celular na bancada, indignada. – Parece uma coisa! 

— O que aconteceu? 

— Eu não consigo acertar na floricultura para o meu casamento. Toda hora aparece um problema diferente. 

— Eu conheço uma floricultura. – Karina revelou como quem não queria nada. – A dona é a melhor pessoa do mundo inteiro. Tenho certeza que em cinco minutos tudo relacionado ao seu casamento estará resolvido. No que diz respeito as flores, claro. 

— Sério? – Rebecca ergueu uma sobrancelha. Karina assentiu, convencida. – Pode me levar lá, então? 

Você deve estar se perguntando: Quem em sã consciência, após descobrir que sua paixão da adolescência quer te beijar, resolve ajuda-la com as coisas do casamento? Karina Prince, senhoras e senhores. Uma das pessoas mais sãs que existe no mundo, de acordo com seu terapeuta. 

Elas chegaram a floricultura. Donna atendia uma cliente, portanto Rebecca aproveitou os minutos para dar uma rápida olhada no lugar. De todas as floriculturas que visitou nos últimos meses, aquela era, de longe, a mais organizada e acolhedora. Ela gostou da forma que os vasos estavam espalhados por todo o local, os ursos gigantes junto com as flores na vitrine, todas as rosas em cima e atrás do balcão, mais os modelos de cestas de café da manhã. Questionou-se o motivo de não ter conhecido aquela floricultura antes. Não ficava muito distante de todas que visitara. Mas algumas coisas sempre tinham o momento certo para acontecer, não é verdade? 

Rebecca caminhou até o balcão para ver os cartões. Sempre foi apaixonada por cartões em qualquer data que fosse, então quando se deprava com algum, tinha que ler. 

Algumas coisas simplesmente acontecem. Sorte a minha você ter acontecido. 

Inevitavelmente, Rebecca olhou para Karina. Sorte a dela Karina ter acontecido. Azar o dela também. Queria que Karina tivesse acontecido dois anos atrás. Ou queria ser capaz de enxergar realmente o que acontecia entre as duas, o que acontecia em seu coração, para que assim pudesse mudar completamente o rumo que escolheu para a sua vida. 

Uma coisa de cada vez. 

— O que você está fazendo aqui? – questionou Donna abraçando a filha. – Não era para estar no trabalho uma hora dessas? 

— A chefe dela deixou com que ela entrasse mais tarde. – Rebecca disse em tom descontraído. 

Donna olhou para a mulher loira em sua frente com uma expressão confusa. Quem era ela? 

— Mãe, essa é a Rebecca, Rebecca, essa é a minha mãe, Donna. – Karina tratou rapidamente de apresentar as duas. 

Donna intercalou o olhar entre Rebecca e Karina, sem nem ao menos saber o que dizer. O que estava acontecendo? 

— Ela é a sua mãe? – Rebecca perguntou com surpresa. Nunca se visse as duas juntas na rua diria que Karina e Donna eram mãe e filha. – Sua mãe é dona dessa floricultura? 

— E você é a famosa Rebecca? – indagou Donna, desconfiada. Ainda queria entender o motivo de Karina ter a levado até ali. Se fosse outro caso de amante, ela pediria arrego. 

— Famosa? – Rebecca abriu um largo sorriso, feliz em saber que Karina falava dela para sua mãe. – Isso eu já não sei. – completou, modesta. 

— A Rebecca quer conversar sobre as flores da decoração do casamento dela e… – pegou o celular, mostrando para a mãe. Sabia que Donna tentaria contestar aquilo ou, pela forma confusa que a olhava, ia pelo menos chama-la em um canto para conversar sobre o assunto. – Eu tenho que fazer uma ligação muito importante. Da licença. – disse andando para longe das duas. 

— Onde você se meteu? – Samantha perguntou do outro lado da linha. – Ou deveria dizer… Onde você meteu? 

— O que? Pelo amor de Deus, Sam! – exclamou fazendo uma careta. Samantha riu do outro lado da linha. – Não aconteceu nada, tudo bem? 

— Você passou a noite no apartamento dela e não aconteceu nada? – riu debochadamente. — Me engana que eu gosto. 

— Não aconteceu nada do que você está pensando, mas… Ela disse que queria me beijar. – contou, achando mais surreal ainda agora que falara em voz alta para outra pessoa que não fosse Rebecca. – E ela tem uma maquete com a casa que nós duas desenhamos. 

— Quando que vocês desenharam uma casa que eu não fiquei sabendo? – Karina nada respondeu, aguardou por alguns segundos até que a amiga se recordasse ao que ela estava se referindo. – Ela tem uma maquete daquela casa? Da casa de vocês duas? 

— Ela tem. 

— E ela disse que queria te beijar? Eu disse! Eu sabia! – exclamou em tom de comemoração. Ela amava estar certa. — Vai entrar no jogo agora? 

— Como você sabia? 

— O que? Que ela gosta de você? – Karina soltou um murmuro, incentivando Samantha a continuar. – Ela te olha da mesma forma que olhava para as suas cartas. Louco, não é? 

— Ela tem magoas da Romântica Anônima, eu não sei… 

— Claro que ela tem mágoas da Romântica Anônima. – Samantha afirmou em um tom óbvio. — Ela desapareceu. Você não era a única apaixonada das duas. 

— O que eu faço? 

— Você vem me perguntar isso agora? Depois de ter perdido a oportunidade de transar com ela? – Samantha poderia não ver, mas sabia que o silêncio de Karina era por causa da expressão de tédio que ela fazia. – Você sempre foi boa em seguir o seu coração, então… Preciso desligar. Tenho uma cliente agora. Podemos conversar mais sobre isso a noite. Pizza? 

— Se deixar você come pizza todo dia. 

— Tudo bem, mãe… Vegetais, para você. 

Karina riu. As duas trocaram mais algumas palavras – e provocações – até encerrarem a ligação de vez. 

— É isso! – disse Rebecca, animada. – Ela é boa! – confessou para Karina assim que a morena se juntou as duas novamente. – Muito boa! 

— Eu sei. – disse Donna em um tom convencido. – É muito mais simples resolver sobre as flores quando o noivo não está. Poucos são os homens que entendem de flores. 

— Poucos são os homens que entendem sobre qualquer coisa. – disse Rebecca em tom descontraído. As duas mulheres tiveram que concordar. – Com licença. – ela disse pegando o celular de dentro do bolso. – Trabalho. – balançou o aparelho.  – Rebecca Mitchell. – atendeu, afastando-se das duas. 

— Eu sei o que você vai dizer. – disse Karina em um tom exausto, apoiando-se no balcão. – Existem amores que não são para ser e eu já me conformei. 

— Se conformar não é a mesma coisa de estar bem. – disse Donna em um tom complacente. Karina ergueu os ombros. Pelo menos ela havia dado o primeiro passo. – Eu só não quero vê-la sofrendo, meu amor. Já não basta a Sam. 

— Nós precisamos ir! – avisou Rebecca, esbaforida. Para sorte de Karina que não fazia a menor ideia de como responder a mãe. – Aconteceu um acidente na obra. Um dos pedreiros está no hospital. A escavadeira acertou a perna dele, eu não sei… – grunhiu, nervosa. – Era só o que me faltava agora! 

Elas se dividiram. Rebecca foi para o hospital ver como o pedreiro estava, enquanto Karina foi até a obra tentar entender exatamente o que havia acontecido. Nenhuma das duas recebeu uma boa notícia. 

A escavadeira havia acertado a perna do pedreiro. O osso exposto acertou um nervo, e embora a cirurgia tivesse sido um sucesso, os médicos não acreditavam que o rapaz recuperaria totalmente a função motora da perna. 

Normalmente um acidente de trabalho desses levaria semanas de investigação para saber o que exatamente havia acontecido, mas dessa vez só precisou de um único dia. Todos os equipamentos deveriam passar por uma manutenção antes de começar uma nova obra para evitar mesmo qualquer tipo de acidente. A empreiteira contratada não cumpriu com aquilo. Por isso que deu mal funcionamento da escavadeira, fazendo com que um dos rapazes perdesse o controle da máquina, machucando o seu colega de trabalho. 

— Eu odeio isso! – revelou Karina encostada na mesa do pequeno escritório que tinha montado no meio do canteiro da obra. 

— Não se preocupe. – Rebecca encostou levemente sua mão na mão de Karina. Discretamente a morena olhou para as mãos juntas. Sentiu seu coração pedindo para sair do peito, mas permaneceu na postura de alguém que nem o toque percebeu. – Eu faço. Ele trabalha comigo tem um bom tempo, então… 

Bateram na porta. Quando Rebecca autorizou a entrada, um homem branco, segurando o capacete entre o peito, com uma barba grisalha e sem nenhum cabelo entrou no escritório. 

— Rebecca, você sabe que eu trabalho dentro do combinado. – o homem tratou de se adiantar. – Eu juro que mandei todas as máquinas para a manutenção antes de começar a construção. Você me conhece. 

— Eu sinto muito, Tony. – disse Rebecca em um tom complacente. – Eu acredito em você, mas o caso vai continuar em investigação. Vocês não podem trabalhar na obra enquanto isso e a construção não pode parar. Nós temos um prazo que o Anthony espera que seja cumprido. 

— Então é isso? Eu e meus homens estamos dispensados? 

— Eu sinto muito, Tony, de verdade. 

— É… – o homem estendeu a mão para Rebecca, encerrando aquele breve trabalho com um aperto de mãos. – Eu também. – ele repetiu o gesto com Karina, assentiu com a cabeça para as duas e deixou o escritório. 

— Camille fez uma lista com as outras opções de empreiteiras que não estão tocando alguma obra. Posso pedir para ela nos enviar. Temos que resolver isso o quanto… 

Rebecca não conseguiu concluir. Foi surpreendia com Karina tocando em sua mão que estava pousada em cima da mesa e, aos poucos, entrelaçando seus dedos com os dela. 

— Nós podemos deixar isso para amanhã. – disse Karina, sem fazer menção de que iria acabar com aquele toque. Não que Rebecca estivesse reclamando, pelo contrário. Ela entrelaçou as mãos com mais firmeza, fazendo um leve carinho com o polegar na mão de Karina. – Ou se for te deixar mais tranquila, eu posso resolver isso hoje, enquanto você vai para casa descansar. 

— Você trabalhou tanto quanto eu hoje, eu não posso… 

— Eu não acordei de ressaca. – mandou um sorriso de provocação para a loira. – Vá para casa. Eu cuido disso. 

— Obrigada. – ela esboçou um sorriso cansado. E, após dar uma leve apertada na mão de Karina, ela se desfez do toque. – Qualquer coisa me ligue. – disse caminhando até a porta do escritório improvisado. Karina assentiu com um singelo sorriso. – Ah… Outra coisa. – ela virou-se, mas sem tirar a mão da maçaneta. — Se eu não fosse noiva, você dormiria comigo? 

— Se você não fosse noiva, você me beijaria? – retrucou. 

— Você sabe a resposta. – Rebecca abriu a porta. 

— Uma merda você estar noiva. – Karina repetiu a frase que ouviu dezenas de vezes na noite anterior.  

Rebecca mandou um sorriso de canto de rosto para a morena, tentando entender o motivo de ter entrado naquele assunto, sendo que se chateou com a falta de uma resposta direta e deixou o escritório. 

Karina Prince acabaria fazendo ela agir por impulso, pois a enlouquecendo a engenheira já estava. 

*** 

— Com licença. – disse Elizabeth parada na porta do escritório de Samantha. – Gostaria de contratar os seus serviços para processar a minha namorada. Ela não responde as minhas mensagens. 

— Vou pedir para que a senhorita se direcione até o escritório da minha sócia. – respondeu Samantha sem tirar a atenção dos papéis em sua frente. – No momento estou atolada de casos e não estou podendo pegar nenhum. 

— Tudo bem… – Elizabeth entrou no escritório, fechando a porta atrás de si. – O que aconteceu? 

— Nada. – respondeu ainda sem olhar para Liz. – Só estou cheia de trabalho. 5 amigas se casaram no mesmo dia e as 5 resolveram se separar no mesmo dia também. 

— Então isso não tem nada a ver ontem? – Liz andou mais alguns passos, parando de frente para a mesa de Samantha. – Não tem nada a ver com o fato do Leo ter aparecido na festa? 

— Eu cheguei a conclusão que sou muito boa em fingir na frente de outras pessoas. – Samantha pousou a caneta em cima dos documentos e finalmente voltou sua atenção para Elizabeth. – Acho que a minha profissão ajuda, não sei. – deu de ombros. – Posso fazer dezenas de piadas sobre os chifres que o Leo leva, mas ele é um cara legal, Liz. 

— Ah meu Deus! – exclamou Elizabeth com exaustão. – De novo isso? Toda vez que você ver o Leo vai ter crise de consciência agora? 

— Às vezes eu não sei se isso também é fingimento ou se você realmente não se importa. 

— Com o que eu deveria me importar? – questionou Elizabeth com seriedade e um pouco de indignação no seu tom de voz. Toda vez aquele mesmo assunto. —  Eu não estou machucando ninguém. 

Samantha riu, indignada. 

— Isso é o que você pensa. 

— Essa é a hora que você termina comigo de novo? – levou um das mãos até a cintura, visivelmente aborrecida. 

— Não, Elizabeth, essa não é a hora que eu termino com você de novo. – respondeu Samantha em um tom de tédio. Não fazia a menor ideia do motivo de ter entrado naquele assunto sendo que toda vez ficava claro que Liz não se importava. – Pra que eu vou me dar ao trabalho de terminar com você sendo que daqui uma semana vamos voltar novamente? Eu só queria saber se somente eu me sinto mal com toda essa situação às vezes, somente isso. 

— Você preferiria não saber? 

— Eu preferiria que você fosse solteira. 

*** 

Rebecca foi todo o caminho até o seu apartamento pensando no dia que teve. 

O dia que envolvia Karina e todos os sentimentos confusos que nutria por sua colega de trabalho. 

Não conseguia tirar da cabeça a resposta que Karina daria. Se fosse a mesma que a dela, claro que as duas transariam, pois ela beijaria a engenheira sem nem pensar duas vezes caso não fosse noiva. 

Como de um beijo – que não aconteceu – acabou se tornando uma conversa sobre dormirem juntas? – que também não iria acontecer. 

Ela entrou no apartamento sem nem se dar ao trabalho de acender a luz, colocando a chave na mesinha que havia ao lado da porta. Estranhou Pen não ter ido recebe-la, mas não deu tanta importância. Jogou a bolsa no sofá e andou diretamente para a cozinha. Pensou em abrir uma garrafa de vinho e bebe-la sozinha, entretanto recordou-se da dor de cabeça oscilante que teve que lidar o dia inteiro por causa de sua ressaca. Outro fato decisivo para não tomar uma garrafa de vinho sozinha foi ter a consciência de que era errado tentar mascarar tudo que estava sentindo com bebida. Por mais confuso que fosse, em algum momento teria que lidar com aquilo, encher a cara até que o grande momento chegasse não iria resolver de nada. 

O que restou para Rebecca foi decidir tomar um longo e relaxante banho de espuma. Ela mordeu o lábio inferior no exato momento que pensou na palavra “banho”. Como pôde ter esquecido das mãos de Karina percorrendo por todo o seu corpo? Balançou a cabeça em negativo, tentando afastar aqueles pensamentos. Karina não tinha a obrigação nenhuma de cuidar dela enquanto estava caindo de bêbada falando bobagens, portando ela não tinha o direito de ter aqueles tipos de pensamentos com quem passou a noite com ela sem segundas intenções. 

Ela subiu até o quarto. Achou estranho a luz do quarto estar acessa, mas em uma claridade baixa. Ao abrir a porta deu de cara com Jonathan trajando somente uma calça jeans. A cama estava coberta com pétalas de rosas e os criados-mudos com velas aromatizadas acesas. 

Em qualquer outro dia antes de conhecer Karina, Rebecca se derreteria completamente com aquela surpresa, mas não naquela noite. 

— Eu sei que o seu dia não foi fácil, então… – ele colocou um pouco de óleo de massagem na mão, esfregando uma mão na outra para espalhar o óleo. – Vou fazer com que você relaxe. 

— Coração… – Rebecca soltou um longo suspiro, pensando nas exatas palavras que diria dali para frente. – Eu sou a mulher mais sortuda do mundo em ter você como o meu noivo, olha isso… – ela gesticulou, mostrando toda a decoração do quarto. Jonathan sorriu, feliz em ouvir aquilo. – Por favor, não fica chateado comigo, mas eu só quero tomar um banho e dormir. O meu dia não foi mesmo fácil. Além de todo o problema com a construção, ainda precisei lidar com uma ressaca. 

— Ressaca? – indagou Jonathan, confuso. – Você não me disse que bebeu tanto assim na festa. 

— Porque até eu estava querendo esquecer. – respondeu em tom descontraído. – Me desculpe. – fez um biquinho, andando em direção do noivo. – Prometo que vou te compensar por isso. – passou os braços pelo pescoço de Jonathan e lhe deu um beijo. 

— Essa era a minha forma de dizer o quanto eu amei a surpresa que você fez na nossa futura casa no outro dia, mas tudo bem… – beijou Rebecca. – Vou esperar ansiosamente pela compensação. – disse em tom descontraído. – Pode descansar. Nos vemos amanhã. – deu um beijo na bochecha dela. – Eu te amo. 

— Também te amo. – forçou um pequeno sorriso, assistindo Jonathan deixar seu quarto.  

O que estava acontecendo que nem dizer em voz alta o que repetia para si mesma todo santo dia estava fazendo mais sentido? Era como se aquele “te amo” não significasse mais nada. 

Rebecca se jogou na cama, ignorando algumas pétalas de rosas que caíram. Como poderia estar deixando sentimentos confusos guiarem sua vida daquela forma? Não era justo com Jonathan. Ela sabia disso, também repetia isso sempre que tinha uma oportunidade, mas sempre que tentava pensar em alguma coisa para lidar com aquela situação, Karina vinha em sua mente e todo o planejamento se perdia. 

Será que teria que se afastar da engenheira para que tudo voltasse ao seu devido lugar? A ideia não lhe gradava. 

Será que deveria contar para Jonathan o que estava acontecendo e quem sabe assim o noivo lhe dava uma luz? 

É, ela só podia estar enlouquecendo mesmo por pensar naquela possibilidade. Teria que arrumar uma forma de lidar com aquilo sozinha e, ainda assim, não ficar distante da pessoa que mais lhe importava. 

Essa era a hora que ela começava a se preocupar por se dar conta que essa pessoa não é o Jonathan?  

Não.  

Ela nem se deu conta disso ainda, caso contrário teria meio caminho andado em toda sua confusão sentimental e decisões para o futuro. 

*** 

A estranha conversa também não saiu da cabeça de Karina. Ela foi o caminho inteiro de volta para casa pensando no motivo de Rebecca ter abordado aquele assunto novamente. Que diferença faria caso ela tivesse respondido? Rebecca não era solteira, portanto Karina acreditava que tomou a decisão certa em não responder diretamente.  

Mas e se ela tivesse respondido? O que mudaria? 

Karina chegou a conclusão que era melhor deixar a conversa para lá. A última coisa que queria era alimentar algo com alguém que estava noiva, independente de ser sua paixão da adolescência ou não. Se Rebecca quisesse beijá-la ou até mesmo dormir com ela, teria que estar solteira. 

Karina teve vontade de rir de sua própria cara. Quem estava tentando enganar? Se Rebecca a beijasse, seu coração e todos os anos de terapia que lhe perdoassem, mas ela não iria rejeitar. Transar com Rebecca? Não. Jamais iria tão longe assim sabendo da incerteza que lhe aguardaria no dia seguinte. Mas um beijo nunca matou ninguém. 

Provavelmente ela nunca leu a notícia das “amigas” que ficaram se beijando por horas. 

Karina chegou no apartamento bastante aérea. O que Samantha dissera sobre a forma que Rebecca a olhava começou a se misturar com seus outros pensamentos. E se ela desse uma chance para entender melhor com o que estava lidando? Nunca saberia se é somente atração ou se é outra coisa que Rebecca sente por ela se não entrasse no “jogo” também. 

O problema era que teria que ser cuidadosa. A última coisa que queria era destruir ou deixar estranho o relacionamento que vinha construindo com Rebecca. Mas, depois das últimas 24 horas, o que poderia abalar aquela amizade/seja lá o que estava acontecendo a mais entre as duas? 

— Da próxima vez que você for se atrasar para o nosso jantar, por favor, avisa, assim não precisamos comer pizza gelada. Não que eu me importe. Pizza de qualquer forma é boa. 

Samantha acreditou que estava falando com a melhor amiga, mas Karina estava tão perdida em seus próprios pensamentos que não ouviu uma única palavra do que a advogada dissera. 

Do seu lugar no sofá, Sam ficou encarando a melhor amiga. Ela podia não dizer em voz alta, mas sempre ficava em alerta quando Karina paralisava. Embora 8 anos tivesse se passado, o trauma daqueles dias ainda eram presentes. 

— Karina? – ela levantou do sofá, caminhando com cuidado até a morena. 

— Eu vou entrar no jogo. – disse Karina, ainda com o olhar distante. Samantha a encarou com confusão. O que estava acontecendo? – Nós temos a conferência de engenheiros e arquitetos nos próximos dias, então vou tentar entender o que está acontecendo entre nós duas. 

Samantha piscou demoradamente, processando o que acabara de ouvir e, ao passar palavra por palavra do que Karina disse em sua cabeça, sorriu. 

— Karina Prince vai destruir um noivado, é isso? 

— Eu… – Karina andou alguns passos para longe de Samantha. – Eu… – limpou a garganta. – Eu não vou destruir um noivado! Eu só quero saber se eu tenho uma chance, somente isso. 

Samantha não disse uma única palavra. O sorriso que era enorme em seu rosto ficou maior ainda. Ela encarava Karina como uma mãe orgulhosa, algo que causou estranheza na morena e um pouco de medo. 

— Meu bebê… – Samantha abraçou Karina. Os braços da morena ficaram soltos ao redor do corpo de Samantha, sem retribuir o gesto. Karina estava muito assustada para ter algum tipo de reação. – Você cresceu tanto. – apertou mais ainda a melhor amiga em seus braços. 

— Eu acho que está faltando ar aqui. – disse Karina dando leves batidas no braço de Samantha. – Sam? 

— Desculpa. – Samantha soltou-a. – Eu só estou orgulhosa de você. Antes eu estava com medo, mas agora… Você consegue falar. 

— Eu consigo falar. – Karina repetiu. Um sorriso brotou em seus lábios ao se dar conta, novamente, de que realmente conseguia falar com Rebecca e que estava prestes a dar um grande passo. – Eu acho que vamos precisar de duas pizzas. Estou com mais fome do que o normal. 

Samantha deu dois tapinhas no braço de Karina, ainda sorrindo orgulhosa para ela e pegou o telefone prontíssima para fazer o pedido. Finalmente a hora de sua melhor amiga havia chegado. 

Não tão rápido assim. 

Bruna Cezario

Aquela que dorme demais, come demais, fala demais, é fangirl demais, assiste séries demais, shippa demais, faz as pessoas sofrerem com suas histórias demais, farofa demais e tem dinheiro de menos. Prazer!

7 comentários em “Romântica Anônima: Capítulo 9 – Eu não sou como as pessoas normais

  • Março 7, 2018 em 1:13 am
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    Ai como é bom ver a história se desenvolvendo! 😍
    Louca pra saber mais sobre o ensino médio.

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    • Março 7, 2018 em 6:38 pm
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      Ai como é bom saber que você ta gostando do desenvolvimento da história 😍 Próximo episódio vai ter um flashback um pouco diferente, mas depois tem muito mais ensino médio.

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  • Março 7, 2018 em 3:38 am
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    Maaais!!! Quero mais
    Sera que karina vai contar sobre a maquete? sera que vai mesmo entrar pro jogo e vai perceber que esta favoravel pra o seu lado??
    ai meu ddeus to curiosa!!
    quero essa semana de engenharia pra ontem!

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    • Março 7, 2018 em 6:40 pm
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      Amo a ansiedade para o desenrolar hahahahaha Uma coisa que eu posso dizer é que vai sim, mas se vai descobrir se está favorável para o seu lado, bom… Que venha a convenção no próximo capítulo já.

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  • Março 8, 2018 em 6:16 am
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    Rebecca bêbada melhor pessoa, ela procurando a aliança na mão errada hahah 😂 E que relacionamento mais louco esse da Sam com a Liz e o noivo 😲 To curiosa demais pra saber como vai ser a reação da Rebecca qd descobrir que a R.A era a Karina (sei que podd levar um tempo ate chegar a essa parte, mas to tipo MUITO CURIOSA) Amo a parte do pré romance” nas estorias, a expectativa é apaixonante kkkk

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  • Março 15, 2018 em 1:01 am
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    Brunaaaa, cadê você?? 😫
    Isso não se faz 😤 como é que você nos deixa assim… Queremos o próximo capítulo!!!
    Pleassseeeee 🙏🏻🙏🏻🙎🏻

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